Nova Bactéria? Nova forma de vida?

Tempo é um artigo que, no momento, estou considerando de luxo. Mas não posso me abster de comentar sobre meu último post, afinal nas últimas semanas o que está sendo discutido é se os dados gerados pelo grupo da NASA são realmente consistentes.

Vários cientistas questionam e argumentam contra esta “forma de vida diferente”. Eu realmente tendo a ficar do lado dos que questionam, afinal olhando mais de perto há brechas neste estudo, mas veremos se vai rolar uma argumentação do grupo da NASA e o que outros estudos vão dizer.

Leia mais sobre esta discussão em: A polêmica do arsênio, Muito barulho por NASA: das bactérias que usam arsênio e em Cientistas questionam estudo sobre bactéria com arsênio

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DNA e arsênio

A vida como conhecemos na Terra não é mais a mesma. Até quinta feira (02/12/2010) sabíamos que a estrutura do DNA era formada por:

FOSFATO + AÇÚCAR (desoxirribose) + BASE NITROGENADA (Purina ou Pirimidina)

que são mantidas juntas por pontes de hidrogênio entre as bases nitrogenadas.

Eis que uma bactéria (GAFJ-1), em um lago exótico muito salino e rico em arsênio nos Estados Unidos, apresenta no lugar do fosfato ARSÊNIO:

ARSÊNIO + AÇÚCAR (DESOXIRRIBOSE) + BASE NITROGENADA

As especulações sobre outras formas de vida fora do planeta sempre existiram. A partir de agora fatos concretos provam que a vida pode ter muito mais variabilidade do que poderíamos imaginar e bem mais perto do que se pensava.

Fonte:

A Bacterium That Can Grow by Using Arsenic Instead of Phosphorus

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Super bactéria, prevenção: lavar as mãos.

A super bactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KCP), que produz a enzima carbapenemase, é o mais novo motivo de pânico na área da saúde. Sim, esta espécie de bactéria é realmente resistente a vários antibióticos, mas devemos lembrar que ela está, atualmente, restrita ao âmbito hospitalar. Não que isto seja menos importante, pelo contrário, afinal os pacientes expostos são aqueles que muitas vezes estão com o sistema imune mais debilitado e, portanto mais susceptível. Por outro lado as medidas preventivas são simples: uso de luvas (quando necessário) e higienizar as mãos após cada procedimento efetuado com os pacientes. Estes procedimentos básicos amenizariam em grande parte o contágio entre pacientes que estão internados nos hospitais. A pergunta é: por que estes procedimentos simples e de baixo custo não estão sendo efetuados?

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Dengue tipo 1, 2 e 3 no Rio de Janeiro

Não devemos ater o nosso medo apenas ao vírus da dengue tipo 4 que está acometendo a região Norte do país, com a possível entrada do mesmo através da fronteira com a Venezuela.

O Rio de Janeiro conhece muito bem os vírus 1, 2 e 3. Sendo que em 2002, ocorreu uma epidemia com o maior número de casos registrados cujo vírus predominante foi o tipo 3 e em 2008, o vírus tipo 2 foi o responsável pelo maior número de casos graves e mortes. O vírus tipo 1 circulou, naquela região, fortemente no fim da década de 80 quando o vírus tipo 2 passou a ser o mais predominante. Recentemente há relatos do vírus tipo 1 causando doença em Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MT), Recife (PE) e Ribeirão Preto (SP). Não se sabe ainda como uma população como a do Rio de Janeiro exposta aos vírus tipo 2 e 3 por mais de uma década vai responder ao estímulo do vírus tipo 1, mas é esperado que as crianças menores de 10 anos sejam as mais susceptíveis por nunca terem tido contato com este vírus, podendo desenvolver a dengue hemorrágica.

Os sintomas da dengue clássica são semelhantes ao da gripe: dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjôos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal e febre alta (39° a 40°C). Já a dengue hemorrágica, é uma doença grave e pode levar a morte rapidamente. Os sintomas iniciais são muito parecidos com o da dengue clássica, mas após o terceiro ou quarto do dia da doença surgem hemorragias devido à problemas de coagulação sanguínea, sangramento de pequenos vasos na pele e nos órgãos internos. É extremamente importante o acompanhamento médico para avaliar cada caso e prescrever o tratamento mais adequado.

Fonte:

- Análise da Situação Epidemiológica do Dengue Cidade do Rio de Janeiro 2010.

- Contribuição do laboratório de biologia molecular do CBIO na UFRR pesquisa do vírus dengue tipo 4 isolado na cidade de Boa Vista, Roraima.

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Dengue tipo 4

   A dengue, que é causado por vírus, é transmitida através da picada de um mosquito (Aedes aegypti e Aedes albopictus). Estes mosquitos picam os seres humanos durante o dia e a noite e não se percebe, pois não dói e nem coça. A doença pode ocorrer de três formas clínicas diferentes: assintomática, febre clássica da dengue ou febre hemorrágica com ou sem choque. No país circulam três sorotipos (1, 2 e 3) e recentemente há casos de reemergência, após 28 anos, do sorotipo 4 em Manaus e Roraima. Os casos mais graves da doença estão associados a reinfecção, ou seja, o indivíduo já teve a doença e é novamente infectado. Cada sorotipo só ativa a produção de anticorpos contra os da sua própria espécie. Ou seja, a presença de mais um sorotipo no nosso país pode favorecer o aumento do risco de dengue hemorrágica. No mundo, ocorrem cerca de 50 milhões de infecções anualmente, destas 500.000 de dengue hemorrágica, contabilizando 22.000 mortes. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil a incidência é de 231,8 casos/100.000 habitantes. No ano de 2007, no período de janeiro a julho foram registrados 926 casos de dengue hemorrágica com 98 óbitos. Não há vacina disponível contra esta doença. A prevenção é feita evitando-se criadouros do mosquito (água parada), lembrando que um mosquito pode infectar até 300 pessoas durante sua vida.

Fonte:

Ministério da Saúde

Organização Mundial da Saúde (WHO)

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Como os alimentos interagem com o nosso organismo?

   Esta é uma das muitas perguntas que a nutrigenômica (estudo da regulação da expressão gênica por nutrientes e compostos bioativos) e nutrigenética (estudo do impacto da variação genética na resposta à dieta) pretendem responder. Estas áreas do conhecimento buscam cada vez mais informações sobre como dietas podem representar, em alguns indivíduos, fatores de risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Outras questões buscam compreender de que forma nutrientes e compostos bioativos, normalmente presente nos alimentos, alteram a expressão gênica e/ou estrutura do genoma e ainda como intervenções dietéticas baseadas na necessidade e no estado nutricional, bem como no genótipo, podem ser utilizadas para desenvolver uma nutrição personalizada que otimize a saúde e previna ou mitigue DCNT.

   Alguns mecanismos já estão elucidados, como por exemplo, uma das funções da vitamina D que atua estimulando a absorção intestinal do cálcio. Quando as concentrações plasmáticas deste mineral se reduzem, a forma ativa da vitamina D (calcitriol) se liga em um receptor dentro do núcleo da célula. Reações são desencadeadas que culminam com a expressão de vários genes que codificam proteínas importantes na absorção intestinal do cálcio. Ou seja, um metabólito (cálcio) pode influenciar diretamente a expressão gênica no âmbito transcricional.

   Uma dieta diversificada, rica em frutas, legumes, vegetais, cereais e carnes magras, já é um fator positivo no ensejo de uma vida saudável. Mas saber exatamente como cada substância é capaz de atuar dentro da célula abre precedentes para que cada indivíduo possa ter uma nutrição sob medida, podendo beneficiar pessoas com necessidades alimentares especiais e atuar de forma a prevenir DCNT. A perspectiva é que em 50 anos a nutrigênomica tenha uma aplicação efetiva em nossas vidas.

Lips P. Vitamin D physiology. Prog Biophys Mol Biol. 2006 Sep;92(1):4-8.

Cuppari L. Nutrição nas doenças crônicas não-transmissíveis. Barueri, Manole: 2009. 

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Bactéria sintética

  Nos primórdios da biologia molecular (cerca de 40 anos atrás) não se poderia imaginar que rumos esta área da ciência iria tomar. Naquela época poucos dados estavam disponíveis sobre o DNA e sua função, muito se especulava sobre as informações, atualmente conhecidas, que são capazes de armazenar. Foi um grande passo quando James Watson e Francis Crick propuseram a estrutura de dupla hélice do DNA. Outras teorias surgiram sobre duplicação, transcrição e tradução que foram posteriormente confirmadas laboratorialmente. Assim vários mecanismos gênicos foram elucidados e ficou mais claro, inclusive, o entendimento das doenças genéticas. Há pouco tempo um cientista norte americano Craig Venter anunciou a “criação de uma bactéria sintética”, sendo que, o que realmente foi feito, foi um transplante de DNA entre bactérias, transformando uma bactéria em outra. Para aqueles de posse da informação de que o DNA foi sintetizado via computador, isto não exatamente uma novidade no campo da ciência. Há tempos são sintetizados sondas (pedaços) de DNA que são amplamente utilizados em testes de paternidade e no diagnóstico de várias doenças. Então o que isto significa em termos práticos? Significa que será possível, um dia, produzir organismos com finalidades ainda mais específicas dos que já existem hoje (TRANSGÊNICOS: você já está usando!).

Fonte:

Watson JD and Crick FHC. A structure for Deoxyribose Nucleic Acid. Nature 171, 737-738 (1953).

Meselson M and Stahl FW. The Replication of DNA in Escherichia coli. Proc Natl Acad Sci U S A. 1958 Jul 15;44(7):671-82.

Gibson, DG et al., 2010. Creation of a Bacterial Cell Controlled by a Chemically Synthesized Genome. Science. 2010 May 20

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