Esta é uma das muitas perguntas que a nutrigenômica (estudo da regulação da expressão gênica por nutrientes e compostos bioativos) e nutrigenética (estudo do impacto da variação genética na resposta à dieta) pretendem responder. Estas áreas do conhecimento buscam cada vez mais informações sobre como dietas podem representar, em alguns indivíduos, fatores de risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Outras questões buscam compreender de que forma nutrientes e compostos bioativos, normalmente presente nos alimentos, alteram a expressão gênica e/ou estrutura do genoma e ainda como intervenções dietéticas baseadas na necessidade e no estado nutricional, bem como no genótipo, podem ser utilizadas para desenvolver uma nutrição personalizada que otimize a saúde e previna ou mitigue DCNT.
Alguns mecanismos já estão elucidados, como por exemplo, uma das funções da vitamina D que atua estimulando a absorção intestinal do cálcio. Quando as concentrações plasmáticas deste mineral se reduzem, a forma ativa da vitamina D (calcitriol) se liga em um receptor dentro do núcleo da célula. Reações são desencadeadas que culminam com a expressão de vários genes que codificam proteínas importantes na absorção intestinal do cálcio. Ou seja, um metabólito (cálcio) pode influenciar diretamente a expressão gênica no âmbito transcricional.

Uma dieta diversificada, rica em frutas, legumes, vegetais, cereais e carnes magras, já é um fator positivo no ensejo de uma vida saudável. Mas saber exatamente como cada substância é capaz de atuar dentro da célula abre precedentes para que cada indivíduo possa ter uma nutrição sob medida, podendo beneficiar pessoas com necessidades alimentares especiais e atuar de forma a prevenir DCNT. A perspectiva é que em 50 anos a nutrigênomica tenha uma aplicação efetiva em nossas vidas.
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Cuppari L. Nutrição nas doenças crônicas não-transmissíveis. Barueri, Manole: 2009.